quinta-feira, 8 de maio de 2014

Eu tenho a força!





No mês passado, enquanto fazia o bendito clipping de todas as manhãs, uma imagem me segurou na página do jornal Diário de Santa Maria.

Era a história da pequena Alícia, de oito anos. No alto de sua infância, ela havia doado o cabelo para as crianças com câncer.
A iniciativa dessa pequena fada surgiu quando ela escutou um diálogo que a tocou. A conversa era entre duas amigas, no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Uma disse que a outra estava "feia" porque tinha o cabelo raspado por conta do câncer.

Alicia prontamente avisou à mãe que queria doar seu longo cabelo. A mãe de início não levou a sério. Tamanha insistência da menina fez com que a mãe desvendasse os caminhos.

Essa fábula do mundo real mexeu comigo. Desde então a ideia não saiu mais da cabeça.

Me parei a pensar no que acontece todo final de ano. Com a chegada do Natal nos imbuímos de uma comoção estranha.

Sentimos um impulso incontido de ajudar, doar, repartir. Mas e no resto do ano. Por que nossa comoção tem data marcada?

Qual a distância entre a minha vida e a do outro? O que realmente é da minha conta?

Essa mistura de interrogações rondou a minha cabeça por um tempo. Até que me olhei no espelho, com a trança embutida bem ajeitada e pensei: e eu, estou esperando o que para fazer alguma coisa.

Por que não doar o meu cabelo?

Cabelo é uma coisa permeada de simbolismos. Não sei que tipo de apego a gente desenvolve com ele, mas a verdade é a coisa é milenar.

Desde os tempos bíblicos de Sansão, que tinha a força nos cabelos, até Rapunzel do imaginário infantil.

Enquanto eu avaliava essa vontade contida, pensei sobre o assunto em voz alta. Nesse instante a Sofia ouviu e de salto disse:

- Mamãe, eu quero doar o meu também!

Pronto, agora não tem mais jeito. Aquele gesto espontâneo foi o estímulo que faltava. Marcamos dia e hora para o feito.

Hoje acordamos animadas, dispostas a realizar esse desejo.

Eu tive cabelo comprido toda vida. Nunca usei um curtinho. Nem quando tive piolho. Quando sentei na cadeira me deu um nervosismo estranho. Uma ansiedade misturada com emoção.

Depois da tesourada fatídica veio a sensação libertadora. Não sei explicar quantos medos escoaram pelo ralo naquele instante.

Enquanto isso, na cadeira ao lado, eu escutava os comentários da Sofia, enquanto o Nauro registrava tudo.

Em altos papos com o Nilton, vibrava a cada tufo de cabelo que era cuidadosamente separado. Super bem resolvida em relação à decisão.

Aos oito anos de idade as meninas querem mais é ter cabelos longos, como as princesas das fábulas. Mas minha sorridente companheira estava realizada com seu novo corte chanel.

A verdade é que o dia de hoje foi marcante para nós.
Ganhei o melhor presente de Dia das Mães do mundo. Ela me deu a coragem de cortar.

Amanhã, depois de secos os cabelos serão enviados pelo correio para o Instituto de Câncer do RS. Desejo que as cabecinhas que receberem nosso cabelo sintam todo carinho que vai nesse gesto.

Nossas boas energias estarão em cada fio de cabelo. E o desejo de que cada criança tenha o seu final feliz!


P.S.: Quem tiver vontade de fazer o mesmo, aí vai a dica:

O cabelo pode ser enviado pelo correio pro Instituto do Câncer do RS (ICI), aos cuidados de Taise (Comunicação).

Endereço:
Rua Francisco Ferrer, 276
Bairro Rio Branco
Porto Alegre/RS
CEP: 90.420-140










Fotos: Nauro Júnior

6 comentários:

Giana disse...

gurias lindas!

lugastal disse...

fiquei tão feliz com esse post! que atitude linda, gurias! me orgulhei de ser girafinha como vcs!

Léli disse...

Parabéns pela iniciativa! Ficaram ainda mais lindas com esta luz de amor e gratidão que irradiam do sorriso! Beijão

Cris Silva disse...

Emocionada!!!! :)

Anônimo disse...

Parabéns, Gabi. Muito legal. Abraço. Stanley

Deborah Kaé disse...

Senti uma sensação de missão cumprida, quando subia as escadas da Escola e a Sofia chegou com o jeitinho dela de quem sempre tem a contribuir e me disse:(enquanto eu elogiava seu novo corte)
- Cuca vou, então eu vou te contar uma coisa que tu ainda vai gostar mais...e me contou a proposta do corte...
Eu senti uma sensação de que as coisas pode acontecer...e acontecem..
Que as coisas podem melhorar e melhoram...
E que está na semente a força...
Sofia tu tens a força...Bjo Gabi