domingo, 1 de agosto de 2010

Meu infinito particular

Sempre gostei de ler e escrever, mas quando descobri que isso poderia ser profissão, larguei três anos e meio do curso de Educação Física e me atirei no jornalismo. Eu tinha na época 21 anos e antes de dar um passo para dentro desse universo resolvi pisar o mundo.

Trabalhei durante um ano inteiro com o único objetivo de juntar dinheiro. Quando se é jovem, e papai e mamãe pagam as contas da casa, transformar sonhos em realidade está diretamente ligado a uma boa logística. Tudo é mais fácil. E foi assim que embarquei em um avião rumo ao Canadá, levando na mala poucas roupas, nenhum dinheiro e muitos sonhos.

A estratégia era simples, já que minha Dinda estava fazendo mestrado na Universidade de Manitoba, em Winnipeg. Eu estudaria inglês por um ano, fazendo bicos por lá, e juntando dinheiro para depois sair mundo a fora.

Aos 22 anos, depois de vencida a fase “the book is on the table”, peguei os dólares canadenses que tinha juntado e comprei uma passagem para Espanha. Com a companhia de minha mochila desbravei quatro países e muitos encantos. Depois de pisar o mundo com a sola do meu All Star, descobri meu mundo particular. Trouxe na bagagem a certeza de que eu queria contar a vida de alguma forma.

Mas a trajetória entre o que eu queria e o que eu sou hoje foi longa. Andei por vários terrenos, alguns não tão românticos, como a assessoria de imprensa política. Mas mesmo os mais assépticos, contribuíram de alguma forma para formar a profissional que sou hoje.

Eu achava que tudo estava bem, até me dar conta de que eu escrevia diariamente sobre coisas externas. Informava, detalhava, salientava, mas não me olhava. E foi aí que no final do ano passado meu marido amado me chamou para um papo cabeça. Ele, que me conhece do avesso, sabia que muito mais importante do que uma terapia, a solução para minhas angústias do momento seria um espaço só meu. Se o que gosto de fazer é escrever, porque não fazer desse momento um blog. Foi aí que surgiu o Adoro Melancia, meu divã-virtual.

Aos poucos fui abrindo as portas do meu infinito particular, e traduzindo com amigos e anônimos o melhor e pior de mim, como diria Marisa Monte. Hoje a certeza que tenho é de que não viveria sem esse tempo, em que o mundo para por alguns instantes e olhando para uma folha branca no computador, deixo as palavras me dizerem um pouco de mim.

Quando termino de escrever, é como se alguma coisa tivesse sido passada a limpo na minha alma. É como a sensação que tenho quando dou a primeira mordida na suculenta fatia de melancia. Uma mistura de sensações, saudades, sentimentos e prazer.

Esse é o sabor do meu infinito particular!
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Infinito Particular
Marisa Monte

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

*para ouvir a música clique AQUI.

2 comentários:

Lu Gastal disse...

querida gabi!
pude fazer parte desse momento "mochila nas costas" de minha querida irmã siamesa... e trago com orgulho uma foto de uma lembrança dessa viagem... um restaurante português chamado "bem bom"... uma expressão mais cachoeirense impossível!
adoro passear por esse blog!

Daniela Xu disse...

Super, Gabi.
Adoro teus textos, tu sabe disso. Tu consegue nos mostrar que vivemos várias situações parecidas com a de outras pessoas. E que de um jeito ou outro podemos superar os momentos difíceis ou comemorar cada conquista todos os dias. Valeu. Escreve mais, mais, mais, mais....é muito bom pra minha alma, eheheh. Bjos, Saudades sempre.