domingo, 12 de setembro de 2010

O lado bom

Foto: Nauro Júnior


Essa semana o clima aqui em casa anda de comoção. Desde quinta-feira o Nauro está envolvido com uma pauta que nos mexeu bastante. É a história de uma mãe, de 22 anos, que percorreu 686 quilômetros, entre quatro cidades e três hospitais, na esperança de tenta salvar a vida do filho Jason.

Ele passou a tarde de quinta na UTI Neonatal do Hospital da FAU, onde mãe e filho reviviam um sentimento que já sentimos um dia. Ele disse ter visto nos olhos de Piera, a intensidade do amor incondicional que move as mães de UTI, e que ele bem conhece.

Sua missão era tirar uma foto que conseguisse retratar tudo isso. Aquela imagem que vale por mais de mil palavras, sabe? E foi isso que ele fez.

Chegou em casa triste, com um peso na alma. Aquela sensação de impotência que sentimos frente a uma situação que já passamos. Foi dormir calado, depois de mostrar as fotos e a beleza de cena de cumplicidade entre mãe e filho. Eu fiquei mais um tempo zapeando pela TV, lembrando dos olhos da Sofia durante os nossos três meses de UTI. Foi uma noite estranha.

No dia seguinte a matéria publicada na página 34 de Zero Hora contava a história do bebê de 42 dias que precisava de atendimento especializado, e corria contra o tempo. A foto, diagramada no lado direito da página, tinha angústia e ternura. Dois sentimentos antagônicos, que só com palavras não traduziriam a fidelidade da situação. O texto dizia:

“Mãe de primeira viagem, ela corta o Estado em carros e ambulâncias pela sobrevivência de Jason de Mello Brondani, que tem uma má formação no intestino. O menino, que completa 42 dias de vida hoje, aguarda há 40 uma transferência para Porto Alegre”.

Acordamos com o Sancler, repórter da sucursal aqui de Pelotas, ligando para dizer que a matéria tinha mexido sentimentos. O médico José Roberto Saraiva, gerente de internação do Hospital da Criança Conceição (HCC) leu a matéria logo cedo e já contatou a central de leitos para ver se tínha como receber o bebê.

Enquanto isso leitores de todos os cantos ligavam para Zero Hora. Em Pelotas o Nauro recebeu a ligação de um senhor que dizia ser muito feliz por ter três filhos saudáveis, e queria de alguma forma agradecer, ajudando a menina nas despesas. E assim foram várias mãos que se estenderam durante o dia.

No final da tarde veio a notícia de que mãe e filho embarcariam às 19h em uma ambulância para serem transferidos para o hospital da capital. Jason tem uma parte não funcional do intestino delgado, mais exatamente a que é responsável pela absorção de nutrientes. Para que possa se desenvolver, precisa se alimentar com uma fórmula especial, e o tratamento indicado é em Porto Alegre, no Hospital de Clínicas, referência ao lado da Santa Casa.

Nova sessão de fotos com a mãe de Jason, agora com um sorriso no rosto e os olhos brilhantes. Nauro e Piera se despediram com um abraço cúmplice.

Por volta das 19h30 Piera e Jason entraram na ambulância para mais uma jornada.

No sábado a dupla estampava a capa da Zero Hora, em um cena cheia de emoção. Sabemos que essa história ainda tem muito a ser escrita, mas o que conforta no momento é saber que de alguma forma o jornalismo pode ter um lado bom.

E por aqui, seguimos os três na torcida por Jason e Piera. Enquanto isso cumprimos nossas pautas cotidianas, na esperança de mudar alguma coisa a nossa volta!

3 comentários:

Lu Gastal disse...

siamesa... que emoção! eu li e imaginei na mesma hora que pessoas certas poderiam ajudar a reduzir tamanho sofrimento, e a crescer a esperança de todos nós!
beijão amiga!

Maira disse...

Rezei, rezei, rezei... depois da nossa história aprendi que em Deus tudo é possível! E pedido de mãe ele atende mais rápido,imagina uma corrente de orações maternas!!! E no final tudo dá certo!!!!

E, amiga que bom te ver de volta ai no blog e nas mensagens no MSN...

Beijos das afilhadas...
Maira

Mariana disse...

que bom saber que ainda tem seres humanos que judam e se sentem comovidos com histórias né. ... e parabens para ti, que escreve de maneira tão intensa, que dá até vontade de chorar quando se lê.
um beijo enorme, mariana do diario da mariana - www.maricandi.blogspot.com