terça-feira, 30 de março de 2010

Meus heróis

Quando eu era adolescente sonhava em ser oceanóloga e cruzar os mares do mundo a bordo da Expedição Costeau. Eu era fã de Jaques Yves Costeau e sua trupe de defensores da natureza. Naquela década de oitenta, esse era um assunto ainda raro, e como não existia internet, muito pouca informação chegava às nossas mentes juvenis. Lembro que tinha uma marca de chocolate, que vendia cartelas da coleção do Costeau, com animais aquáticos dos mais variados. Eu juntava e guardava com muito zelo aquele bolo de bichos lindos, entre eles o famoso boto cor-de-rosa da Amazônia, que tinha fascinado o pesquisador. Uma vez minha amiga Lílian, sempre uma cidadã do mundo, morou por um tempo em San Diego e me trouxe de presente um adesivo verde e branco, da Fundação Costeau. Era uma relíquia, que colei com carinho no meu fusquinha 79, cor de cereja. Eu já cursava a faculdade de Educação Física, depois de ter rodado no vestibular da Furg, para oceanologia. Eu rasgava as ruas da cidade cheia de bossa, e imaginava que meu fusquinha era uma espécie de carro-anfíbio da expedição.

Nessa mesma época conheci as aventuras de Amyr Klink, e foi amor à primeira vista. Aquele cara obstinado, tinha cruzado o Atlântico à bordo de um barco a remo, no sabor das correntes. Nossa, que pessoa incrível. Li o seu primeiro livro e sublinhei de caneta marca-texto cada frase impactante. Era uma bíblia da perseverança para mim. Depois disso virei sua fiel seguidora. Inclusive uma vez que ele veio dar uma palestra aqui, no Parque Tênis Clube, fiquei na fila do gargarejo, tirei fotos e obviamente não descolei do cara. Os anos passaram e ele seguiu buscando e realizando sonhos. Típica alma de herói.

Nesse mesmo tempo minhas manhãs de domingo tinham compromisso inadiável com a presença de Ayrton Senna nas pistas do mundo. Como a maioria dos brasileiros, fiquei fã da fórmula um e em pouco tempo discutia até os comentários do Galvão Bueno. As entrevistas do Senna eram sempre permeadas de lições de humildade e bravura.

Ele era o cara!

E estava no ranking dos meus heróis, assim como a Família Schurmann, Renato Russo, Caco Barcellos, entre tantos outros ídolos da minha geração, que me ajudaram a enxergar a vida do melhor ângulo. Me mostraram que eram de carne e osso, tinham chegado lá e seus valores eram verdadeiros. Foram pessoas que com suas atitudes, deram o exemplo.
Hoje faço uma força enorme para pensar em uma lista de cinco nomes de heróis para minha fase de maturidade. Fico pensando também, quem serão os heróis da Sofia. Hoje seu único herói é o papai, mas mais adiante sei que terá seus ícones do mundo.

Mas em um mundo onde o horário nobre exibe o Big Brother e uma cambada de gente vazia, que fala palavrão, prega o preconceito e ainda por cima ganha dinheiro por isso, fico pensando nos futuro heróis da minha filha.

Quem serão eles?

4 comentários:

satolep disse...

Meu amor,os heróis dela virão e eu durante um tempo vou até virar vilão para um dia ser somente pai. E o incrivel é que nos achamos aos 34 anos de idade, mas nossos heróis foram os mesmos, e isto fez com que caminhassemos paralelamete pela vida até nos encontrarmos.
Beijos, te amo... Gôdo, pero nem tanto.

Leonardo Peixoto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
kiki disse...

Oi Ermã, só faltou um heroi aí na tua lista, o Zico te lembra da tua coleção?
Bjs

satolep disse...

Bahh Kiki, é mesmo!! Eu tinha uma pastinha toda organizada, com fotos e recirtes dele. Que máximo!!! Minha irmã-memória-ambulante, gracias!!

bjs
Gabi