quarta-feira, 30 de junho de 2010

Medula

Numa tarde qualquer dessas últimas semanas fiz uma coisa que tenho vontade há pelo menos uns cinco anos. Estava escutando rádio enquanto dirigia o carro e ouvi uma entrevista no programa Pelotas Treze Horas. Era com uma guria de cerca de 30 anos, que estava com leucemia. Naquele momento, através do seu relato, ela estava estimulando as pessoas a se candidatarem à doação de medula.

A entrevistada era super disposta e estava pra lá de otimista, visto a guerra que tinha pela frente. Ela tinha recebido um diagnóstico que há alguns anos atrás era uma sentença de morte. Hoje a coisa já é bem diferente. Ela tem todas as possibilidades de ganhar essa guerra. Não é barbada, como tudo que envolve as tais células cancerígenas.

Mas a contar pela sua disposição e esperança, já entra no campo de batalha com um exército corpulento. As armas do positivismo são definitivamente uma grande ajuda. Tenho vários amigos na volta que me ensinam isso: Neca, Leo, Gianne,...Eles já ganharam muitas batalhas e estão aí para mostrar que dentro do coração temos imensuráveis formas de atuar contra a doença e levantar a bandeira da paz nessa guerra.

Aquela breve lição de vida que chagava pelas ondas do rádio me fez mudar o rumo do meu trajeto. Me dirigi na mesma hora para o Hemocentro e fui finalmente fazer a doação de medula. Em pouco mais de quinze minutos, os meus cinco milímetros de sangue estavam a caminho do Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea - Redome. É um banco de dados sanguíneo, que reúne o detalhamento celular de cada doador e do receptor. Caso um doador cadastrado seja compatível, articula-se a doação.

Simples assim!

E o pior é que eu já sabia disso, porque há uns três anos fiz uma matéria exatamente para detalhar a facilidade da doação e desmistificar a imagem de que doía, ou iríamos ter que deixar um pedaço de medula no banco de sangue. Escrevi a matéria, saiu na revista, mas eu não me mexi.

Depois de feito o procedimento, fiquei pensando exatamente nisso. Sei lá o que fazemos de nossos dias, que nos ocupamos com coisas mais importantes do que a possibilidade de salvar uma vida. Então pensei que uma forma de me redimir dessa falha, seria disseminando por aí a afora sobre a facilidade que é fazer a doação.

Sei que as chances de compatibilidade são mínimas. Que são raros os casos e tudo mais. Mas quando entro na lotérica para jogar na Mega Sena, a chance de eu ganhar é menor ainda. Quando envio um torpedo para o Faustão, querendo ganhar um milhão de reais, a chance é a mesma. E mesmo assim, fazemos isso sem a menor cerimônia.

Portanto, a partir de hoje, sou uma porta-voz da doação de medula. Imagina um pedacinho da gente virar vida em outra pessoa.

Isso sim não tem preço!

P.S.: Para quem se animar e for da região de Pelotas segue o endereço do Hemopel. Para os demais sugiro divulgarem os das suas cidades!!

O Hemocentro de Pelotas fica no prolongamento da avenida Bento Gonçalves, 4.569, próximo do Colégio Municipal Pelotense. O contato com o Departamento de Captação pode ser feito pelos telefones (53) 3225-7262 e 3222-3002, ou pelo e-mail hemopel@fepps.rs.gov.br.

5 comentários:

A Familia Aumentou disse...

Oii Gabi, que maximo! estamos juntas nesse time (tb) então!
Fiz meu cadastro quando estava grávida, não sabia e doei sangue. Espero que ajude alguem um dia.
beijocas pra familia dai, da familia de cá!

kiki disse...

Eu também estou junto nessa, pois a ano passado depois de anos sonhando que teria que ir coletar o sangue finalmente fui ao Hemocentro. Foi super rápido e sem dor. E espero um dia conseguir ajudar alguem.
Bjssss

Cláudia disse...

Oi Gabi.
Quero te contar que aqui na Farmácia, fizemos uma campanha para doação de medula.Nossa meta era poder ajudar o filho de um funcionário que estava muito mal.Cerca de sessenta colaboradores daqui doarão, porém não consiguimos ajudar o querido Michel que veio a falecer.Mas nem tudo foi perdido.Em maio um colega nosso foi chamado por ser compatível com uma pessoa do norte do país,já fez a doação em Poa.
Fizemos uma homenagem ao nosso bravo colega que fez de seu gesto uma esperança.Valeu teu exemplo!!! Bjos Claudinha

Nicenhah disse...

ain Gabi, tu faz pareceu tao fácil!! Até me animou pra doar quando voltar pra pelotas. Sangue eu ja sou doadora, mas medula dizem que a agulha é bem maior. Hahah, enfim, vou seguir o exemplo e dar um pulo no hemocentro mês que vem!

Anônimo disse...

Querida, muito legal a tua atitude!
Eu sou doadora de medula desde 2008, também por causa do Michael, assim como a tua amiga Claúdia, do comentário acima! E fiquei muito feliz em ler o comentário dela e saber que deu certo pra alguém! Com certeza essa era a missão do Michael, abrir os nossos olhos pra vida! Conheci ele depois de ver os cartazes espalhados pela cidade pedindo a solidariedade. Olhei na época pro Marcus Spohr e disse "vamos fazer uma matéria e ajudar esse guri!". Esse episódio mudou a minha vida!
Contigo, pelo jeito, foi o rádio que fez esse papel! Que bom!
bjos, Paulinha Blaas.