quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A tal crônica dos 30 anos

Mexendo nos meus alfarrabos achei aquele escrito que fiz pouco antes de compeltar 30 anos. Mais de uma década atrás. Que loucura! Nem vamos contabilizar o tempo senão o meu divã-virtual vai precisar receitar algum tarja preta. Mas a verdade é que essa crônica, na época publicada no Diário Popular, rendeu identificação com muitas amigas. Lembro da Lelela (Daniela Ferreira, hoje morando em SP) que um dia me falou que guardava na carteira. Como publiquei aqui a dos 40, resolvi catar a dos 30 já que meu universo infinito tem uma variedade bem ampla de gerações. Coisa boa, amigas dos 20 aos 80 ensinam muito sempre!

Divirtam-se!


A sede dos Trinta


Pensei que seria diferente, que meu guarda-roupa seria povoado por tailleurs elegantes e scarpins distintos. Meu banheiro exalaria perfumes doces e minhas unhas seriam finas e longas realçadas por um marrom nobre. Nossas fantasias juvenis são incríveis mesmo.

Tão incríveis que continuam construindo diariamente nossos sonhos e fantasias de um futuro que nos surpreende sendo o presente. Lembro-me que aos 15 anos imaginava se não haveria um meio de se saber como seria nosso rosto aos 30 - que mágica seria esta que nos transformaria em pessoas "adultas".

Hoje, 30 anos depois de revoluções e lutas, sinto-me feliz . Meu cabelo ainda não tem aquele corte channel imaginado para tal idade, mas minhas Havaianas relaxam meus pés e ocupam menor espaço na sapateira do guarda-roupas. Minhas calças jeans já tem lugar cativo no armário e minhas unhas curtas conseguiram a honra de passar pela manicure a cada dois meses e saem revigoradas por um tom areia, muito bonitinho. O cabelo continua o mesmo, depois de algumas “experiências químicas” é claro, mas com aquele eterno ar indefinido.


Meu banheiro já evoluiu um bocado: na prateleira principal dois cremes, um para o dia, outro para noite – o difícil é lembrar de colocá-los. Como imaginamos coisas entre os anos de nossas vidas. Na verdade cada dia que passa faz com que vivamos outro capítulo das novelas de nossas idades. Na infância começamos como um “Sítio do Pica-pau Amarelo”, temos fantasias coloridas e sempre com um final feliz. Quando começamos a adolescência, nossas vidas viram uma novela das seis: problemas comuns aos olhos do mundo, mas insolúveis para nossas cabecinhas ainda desmioladas. Aos 20 achamos que já aprendemos tudo que a vida tinha a ensinar, levantamos o nariz e desafiamos qualquer pobre mortal com nossas teorias sem prática – ao melhor estilo de uma novela das sete.

Finalmente o horário nobre. Chegamos aos trinta com um pouco de receio, mas muita sede da prática. Finalmente nos sentimos no lugar certo, na hora exata. Olhamos para trás com ares de quem percorreu o deserto e encontrou uma máquina de coca-cola.

Resta-nos agora descobrir onde comprar a fichinha para saborear o delicioso líquido gelado e matar a sede dos trinta !

Um comentário:

Samira da Costa disse...

Estou completando 27 e ameeei teu texto! Parabens!!!